No Reino das Águas Claras - Emilía

O Sítio do Picapau Amarelo é uma criação de Monteiro Lobato, escritor brasileiro.
A obra é das mais originais da literatura infanto-juvenil no Brasil e o primeiro livro da série foi publicado em Dezembro de 1920.
A partir daí, Monteiro Lobato continuou escrevendo livros infantis de sucesso, com seu grupo de personagens que vivem histórias mágicas:
Emília, Narizinho, Pedrinho, Marquês de Rabicó, Conselheiro, Quindim, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Tia Nastácia, Tio Barnabé, Cuca, Saci, etc.
Os personagens principais moram ou passam boa parte do tempo no sítio pertencente à avó dos garotos, batizado com o nome de Picapau Amarelo.
Emília, na trama criada por Lobato, foi feita por Tia Nastácia para a menina Narizinho. Nasce muda e é curada pelo doutor Caramujo, que lhe receitou uma "pílula falante". Emília, então, desembesta a falar: "Estou com um horrível gosto de sapo na boca!". Narizinho, preocupada, pediu ao "doutor" que a fizesse vomitar aquela pílula e engolir uma mais fraquinha. Mas, explicou Caramujo, aquilo era "fala recolhida", que não podia mais ficar "entalada".[1] Ela é conhecida por volta e meia "abrir sua torneirinha de asneiras", principalmente quando quer explicar algo de difícil explicação ou justificar uma ação ou vontade. Além de falar muito, também costuma trocar os nomes de coisas ou pessoas por versões com sonoridade semelhante.
Emília é uma boneca de pano, recheada de macela. Em muitas histórias, ela troca de vestido, é consertada ou é recheada novamente. Narizinho também faz e refaz suas sobrancelhas (segundo Reinações de Narizinho) e seus olhos (que são de retrós e por isso arrebentam se Emília os arregala demais). Ela é capaz de andar e se movimentar livremente, porém muitas vezes é tratada por Narizinho como uma boneca comum e é "enfiada no bolso".
Dentro das histórias do "Sítio", Emília foi biografada pelo Visconde de Sabugosa. Todo cheio de conhecimento enciclopédico, ele aproveita para dizer umas verdades sobre a boneca: "Emília é uma tirana sem coração. (...) Também é a criatura mais interesseira do mundo. (...) Só pensa em si, na vidinha dela, nos brinquedos dela".

Biografia de Monteiro Lobato
O maior escritor infantil brasileiro de todos os tempos, José Bento Monteiro Lobato, nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté (SP). Cresceu numa fazenda, se formou em direito sem nenhum entusiasmo, já que sempre quis ser pintor! Desenhava bem! Quando estudante, participou do grupo "O Cenáculo" e entre risadas e leituras insaciáveis, escreveu crônicas e artigos irreverentes. - Em 1907 foi para Areias como promotor público, casou com Maria Pureza com quem teve três filhos. Entediado com a vida numa cidade pequena, escreveu prefácios, fez traduções, mudou para a fazenda Buquira, tentou modernizar a lavoura arcaica, criou o polêmico "Jeca Tatu", fez uma imensa e acalentada pesquisa sobre o SACI publicada no Jornal O Estado de São Paulo. - Em 1918 lançou, com sucesso, seu primeiro livro de contos URUPÊS. Fundou a Editora Monteiro Lobato & Cia, melhorando a qualidade gráfica vigente, lançando autores inéditos e chegando à falência. - Em 1920 lançou A MENINA DO NARIZ ARREBITADO, com desenhos e capa de Voltolino, conseguindo sua adoção em escolas e uma edição recorde de 50.000 exemplares. - Fundou a Cia Editora Nacional no Rio de Janeiro. Convidado pra ser adido comercial em New York ficou lá por 4 anos (de 1927 a 1931) fascinado por Henry Ford, pela metalurgia e petróleo. Perdeu todo seu dinheiro no crash da bolsa. - Voltou para o Brasil, se jogou na Campanha do Petróleo, fazendo conferências, enviando cartas, conscientizando o país inteiro da importância do óleo. Percebeu, então, o quanto era conhecido e popular. Foi preso! Alternou entusiasmo e depressão com o Brasil. - Participou da Editora Brasiliense, morou em Buenos Aires, foi simpatizante comunista, escreveu para crianças ininterruptamente e com sucesso estrondoso, traduziu muito e teve suas obras traduzidas. - Morreu em 4 de julho de 1948 dum acidente vascular. - Suas obras completas são constituídas por 17 volumes dirigidos às crianças e 17 para adultos englobando contos, ensaios, artigos e correspondência. 

No Reino das Águas Claras

Narizinho conhece o reino do Príncipe Escamado e conquista a simpatia real de seu anfitrião. Nessa história, a boneca Emília começa a falar sem parar depois que recebe uma pílula do Doutor Caramujo. Narizinho entra numa disputa com a Dona Carochinha, das histórias dos contos de fadas, porque a velha está procurando o Furabolo, que escapou de um de seus livros. Depois de uma grande confusão entre Narizinho e Dona Carochinha, porque esta chamou Dona Benta e tia Nastácia de Velhas Corocas, Emília dá um chute na canela da bruxa e tira os seus óculos. Depois que Narizinho e Emília voltam para o Sítio, o príncipe fica melancólico e adoece. O Doutor Caramujo descobre que a doença de Sua Alteza é paixão recolhida por Narizinho.
Como receita para a cura do soberano, o médico prepara um pedido de casamento para Narizinho em nome do Príncipe Escamado e pede aos peixinhos que o entreguem na margem do Ribeirão dos Tucanos, onde Pedrinho encontra a mensagem. Nessa história, acontece também o casamento do Rabicó com a Emília e ela vira Marquesa de Rabicó, para poder ser madrinha de casamento de Narizinho. Narizinho presenteia o Príncipe Escamado com uma rosquinha da tia Nastácia. Encantado, ele resolve mandar revestir a rosquinha com diamantes e transformá-la em sua coroa real. Mas Narizinho acaba não casando com o príncipe porque o guloso Rabicó come a coroa de rosquinha. Emília, Rabicó, Narizinho e Pedrinho fogem do Reino das Águas Claras com medo da ira do Príncipe Escamado, que ficou furioso com o ocorrido.

Canção da Emilía

Emília está aprendendo a falar
Ela se atrapalha e não consegue pronunciar
e, além do mais, ela inventa muita história,
é tagarela a bonequinha,
faz de conta e tem memória.
Das palavras que inventa,
ela mesma acha importante
e só ficou assim
porque tomou a pílula falante!
Ela conta a história de polvo que se aproximou e a atacou.
Ficando muito brava ela quis lutar
o polvo que, com tantos outros braços, ele a apertou.
Como era de pano, ela tentava se esquivar dos tentáculos
que via se movimentar e apertava, apertava, apertava...

E,aí!!!
Se liga no sítio, mano!
Como é que pode alguém ser feito
de pano?
Que rima com filha, com lentilha e com baunilha...
É a boneca Emília
Se lagá no litiô sinomá
Asesaé canebo foi quetá feinô depá

Muito assustada, boneca apavorada desmaiou,
deixando todo mundo sem saber o que rolou.
Foi aí que o DR. cara de coruja resolveu, medicou.
Emília, então, acordou falando sem parar
do sonho ou da história que inventou ou contou.
Só que desse jeito ninguém entende nada,
falando assim errado é melhor parar!!!
Ela gosta de falar, ela gosta de contar histórias
e também gosta de mandar.
Tio Barnabé, Tia Anastácia e o Visconde,
o Saci, que vem lá não sei de onde,
ficam desorientados com a pequena atrevida
brincando de esconde-esconde.
Encara todo mundo, qualquer ser humano,
mesmo sendo uma bonequinha de pano

Li emi ali Emília
Boneca inteligente
Que pensa como a gente
Li emi ali Emília
É todinha de pano
Não entra pelo cano,
Eu não me engano
É Emília e ela quer falar!

Segue rima no sítio da vovó.
Dona Benta não agüenta,
em sua cabeça dá um nó.
A boneca exigiu não ficar só
e casou com um porquinho que se chama Rabicó.
Pedrinho e Narizinho concordam com a morada da boneca
que agora é marquesa.
E com três estrelinhas de condessa,
com certeza, o sítio é sua realeza.